A Parada Gay de São Paulo, que aconteceu neste domingo (2) na capital paulista, foi marcada pelo maior efetivo policial da história do evento, chuva e a presença da cantora Daniela Mercury em um dos trios elétricos, mas que só começou a cantar na segunda metade do trajeto.
Segundo
Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, a cantora
Daniela Mercury subiu ao trio elétrico na altura do rua Augusta, em
frente ao Banco Safra. De acordo com ele, Daniela só começou a cantar na rua da
Consolação porque muitos políticos e personalidades da causa gay a procuraram
no trio para conversar e ela recebeu todas estas pessoas no camarim, atrasando
o início da apresentação. Daniela cantou até o trio chegar à Praça Roosvelt.
Segundo fontes da PM ouvidas pela reportagem do UOL, a cantora foi
obrigada a usar um outro carro, que foi adaptado para participar do trajeto,
porque o trio previsto para Daniela Mercury tinha altura maior que a permitida
pela CET.
A CET
informou que o trio elétrico da cantora Daniela Mercury não pode seguir o
trajeto planejado para chegar à avenida Paulista por ter altura superior ao
informado previamente pela produção. Durante a vistoria realizada na
manhã deste domingo, a CET constatou que o trio tem altura de 4,80 metros e não
4,50 metros, conforme informado anteriormente para autorização.
A altura
do carro impediu que ele circulasse pelo trajeto programado pela Avenida do
Estado, eixo Norte e Sul, Avenida 23 de Maio, Avenida Bernardino de Campo até a
avenida Paulista. Isso porque a altura do viaduto Eusébio Estevaux (na Avenida
23 de Maio) é de 4,60 metros. Para organizar outro trajeto, haveria necessidade
de alterar a fiação da área e da rede de trólebus, o que é feito por trechos,
conforme a passagem do trio, e por equipe especializada e técnicos de outras
áreas, além da CET. Para isso seria necessário um tempo de antecedência maior
para o início da operação, de forma que o carro chegasse na avenida Paulista no
tempo programado.
A Polícia
Militar de São Paulo informou que decidiu colocar mais homens na rua para
reforçar o policiamento durante a Parada Gay de São Paulo. Em entrevista
coletiva, o comandante-geral da PM Benedito Roberto Meira afirmou que o efetivo
policial foi de 2.200 homens. O motivo do aumento foi a expectativa de um maior
público no evento. A PM trabalhava com a expectativa de 2,5 milhões a 2,6 milhões
de pessoas neste domingo. No entanto, a polícia acredita que entre 1,5
milhão e 1,8 milhão de pessoas participaram da Parada hoje.
A PM
informou que, até as 20h do domingo, duas pessoas haviam sido detidas em
flagrante por crimes cometidos. Em um deles, uma pessoa estava vestindo farda
completa de bombeiro sem autorização. Seis pessoas foram detidas por ato
obsceno, no caso, urinar na rua. Além disso, 132 pessoas haviam sido atendidas
no posto médico da avenida Paulista com a rua da Consolação. Todos os casos se
referiam a uso excessivo de bebida alcóolica. Os dados não incluem números da
GCM (Guarda Civil Metropolitana).
Em ano
marcado por acontecimentos polêmicos, como a eleição do deputado Marco
Feliciano (PSC-SP) à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da
Câmara, e pela conquista da garantia do casamento igualitário pelo STF (Supremo
Tribunal Federal), a 17ª edição da Parada Gay de São Paulo aconteceu em clima
de Carnaval.
O evento,
que teve início aproximadamente às 13h, uma hora após o previsto – devido à
chuva e ao atraso de figuras importantes que desfilaram no carro oficial -,
partiu do Museu de Arte de São Paulo (Masp), atravessou a avenida, passou pela
Rua da Consolação, seguindo ao destino final - a Praça da República.
Sem
manifestações políticas mais ostensivas, o
público acompanhou a passagem de 17 trios elétricos em ritmo de descontração.
Neste ano, a festa teve como tema "Para o Armário Nunca Mais! União e
Conscientização na Luta contra a Homofobia".
O trio de
abertura, que desfilou com o prefeito de São Paulo Fernando Haddad e Marta
Suplicy, ministra da Cultura, e outros políticos, atravessou a Paulista em tom
de comemoração. "São Paulo é gay!", repetia o animador do carro. Para
o Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São
Paulo (APOGLBT), esta Parada foi "maior que as outras e a melhor".
"Tivemos muitos motivos para comemorar, mas a luta pela igualdade
continua", disse Quaresma, que discordou que o desfile foi mais
carnavalesco que politizado.
"A
parada não é um carnaval fora de época. Mas sim o maior movimento de
visibilidade massiva de uma parcela da comunidade que sofre diariamente
preconceito e discriminação, violência, ódio e intolerância", definiu o
presidente da APOGLBT.
Haddad
destacou a importância da Parada à intransigência e à homofobia. "Nos
lembremos que, muitas vezes aqueles que hoje têm um comportamento homofóbico,
em algum momento tiveram que lutar por sua própria liberdade", falou o
prefeito.
O evento também foi marcado pela participação de skinheads
"da paz" e punks. O grupo ostentou faixas em defesa da
criminalização da homofobia. Em entrevista à Agência Brasil, um dos
integrantes, que se identificou apenas como Max, disse ser contrário à prática
discriminatória. "Sou bissexual, minha namorada está do meu lado e apoia o
movimento", disse. A ala das pastoras lésbicas da Comunidade Cidade de
Refúgio, de São Paulo, também marcou presença em estreia tímida no evento. Reportagem: Daniel Santos, Gabriela
Fujita, Gil Alessi, Luciana Pioto e Noelle Marques, Do UOL, em São Paulo.





