Peixe ornamental dos mais populares entre os donos de
aquário, o Lebiste (Poecilia reticulata) pode ser
considerado um zumbi. Isso porque ele continua a se reproduzir quase um ano
após sua morte.
Grupo
do departamento de biologia da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos,
descobriu que os machos dessa espécie conseguem armazenar seus espermatozoides
no corpo das fêmeas por dez meses ou mais, garantindo a continuidade de sua
linhagem.
Segundo
os cientistas, essa habilidade permite à espécie, que vive em pequenas
populações, variar geneticamente suas crias, diminuindo a ocorrência de filhotes
com má-formação que surge da cruza entre parentes.
"A
armazenagem de esperma por longo tempo significa que uma única fêmea pode ter
um novo cardume e estabelecer uma nova população com uma boa diversidade
genética", explica o professor de biologia David Reznick.
"As
plantas fazem isso também ao produzir e despejar sementes que ficam 'dormentes'
no solo por longo tempo. Mas esta é a primeira vez que encontramos essa
habilidade em um animal vertebrado."
Além
disso, as fêmeas do peixe - cuja cauda pode trazer inúmeros padrões de cores -
tendem a preferir machos com caudas diferentes das que predominam no cardume,
garantindo cópulas ao filhote de um macho morto há tempos, por exemplo. As
fêmeas têm tempo de vida, em média, dois anos superior ao dos machos.
O
estudo foi feito na ilha de Trinidad e Tobago, no Caribe venezuelano, e faz
parte de um grande programa de pesquisa dedicado ao estudo de conexões entre
processos evolutivos e ecológicos. Os resultados foram descritos na revista da
Sociedade Real de Ciências Biológicas britânica (Proceedings of the Royal
Society B) no fim de julho. Informações Uol Notícias.



