Uma suposta fraude envolvendo a instalação de um curso de medicina privado em Guanambi, no Sertão Produtivo, sudoeste, será apurada pelo Ministério da Educação (MEC). O caso se refere a uma possível troca de pareceres em uma concorrência pública que teria beneficiado uma entidade do ex-ministro do Turismo Walfrido Moraes.
Segundo reportagem do
Estadão, a seleção das entidades para instalação do curso de Medicina se
deu por meio do Programa Mais Médicos, durante o governo de Dilma Rousseff. A
intenção era reduzir a carência de profissionais de medicina no país em médio
prazo. O edital chegou a ser alterado, com inversão de fases de avaliação, além
da inclusão de novos critérios de análise, mesmo após o início do processo, o
que causou polêmica e levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a paralisar a
seleção por nove meses, entre outubro de 2015 e julho de 2016. Ainda conforme a
reportagem, a estimativa é de que, em pleno funcionamento, um curso desse renda
ao menos R$ 26 milhões/ano.
A classificação final, que
envolveu a análise das condições apresentadas pelas instituições em três
etapas, foi divulgada pelo MEC em 10 de julho de 2015. Naquela data, foi
anunciada como primeira colocada para montar o curso em Guanambi a Sociedade
Padrão de Educação Superior, mantenedora das Faculdades Integradas Pitágoras de
Montes Claros (FIPMoc), com sede na cidade do Norte de Minas. A entidade tem
como um dos sócios a Samos Participações, de Walfrido. Em resposta, a Sociedade
Padrão de Educação Superior informou que a participação no certame ocorreu
mediante os critérios no edital.
A instituição alega
ainda ter sabido da classificação em primeiro lugar “no momento em que o fato
se tornou público” e “desconhece a existência” de pareceres que divergem do
resultado. Ainda segundo a entidade, durante o processo de seleção, a
instituição “jamais solicitou” revisão de avaliações feitas pelo MEC. (Bahia Notícias).



