10 Dez (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou
nesta terça-feira, em cerimônia de homenagem a Nelson Mandela em Johanesburgo,
que a luta do ex-presidente sul-africano pela liberdade e justiça transcendeu
as fronteiras da África do Sul e inspirou a luta no Brasil e na América do Sul.
"Mandela
deixou lições não só para seu querido continente africano, mas para todos que
buscam a liberdade, a justiça e a paz no mundo", afirmou Dilma em discurso
no estádio Soccer City, diante de dezenas de chefes de Estado e de milhares de
sul-africanos que se reuniram para despedir-se do líder da luta contra o regime
de segregação racial apartheid.
Segunda
chefe de Estado a discursar, após o presidente dos Estados Unidos, Barack
Obama, Dilma disse que Mandela teve os "olhos postos no futuro de seu
país, de seu povo e de toda a África. Inspirou a luta no Brasil e na América do
Sul."
Dilma
viajou para a África do Sul com os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor
de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva para participar
da homenagem a Mandela, que morreu na quinta-feira, aos 95 anos.
A
presidente foi um dos seis chefes de Estado escolhidos para discursar na
cerimônia, que foi realizada sob chuva no estádio com capacidade para mais de
90 mil pessoas, palco da final da Copa do Mundo de 2010.
Em
discurso feito em português com tradução para o inglês, idioma oficial da
África do Sul, Dilma chamou Mandela de "personalidade maior do século
20" e foi bastante aplaudida pelo público. Ela ressaltou os laços históricos
do Brasil com a África e levou uma mensagem de pesar em nome do povo
brasileiro.
"Da
mesma forma que os sul-africanos choram com seus cantos por Nelson Mandela,
nós, nação brasileira, que trazemos com orgulho o sangue africano em nossas
veias, choramos e celebramos o exemplo desse grande líder que faz parte do
panteão da humanidade", disse Dilma.
Além
de Brasil e EUA, os representantes de China, Namíbia, Índia e Cuba foram os
dignatários estrangeiros convidados a discursar na cerimônia, além do secretário-geral
da ONU, Ban Ki-moon. Autoridades sul-africanas, netos e amigos de Mandela
também discursaram.
(Por
Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)



